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Eu uso, tu tens, ele é.

É incrível a facilidade com que as coisas se tornam banais hoje em dia. Claro que o “crédito” é dado à era digital em que não se tem escolha senão seguir a correnteza. Assim como a digitação (ou datilografia) era espetacular e um atributo de altíssimo valor algum tempo atrás, hoje é tão banal que, se você não souber, as pessoas ficam assustadas. Uma casa com computador era rara e, quando possuisse internet ADSL, as pessoas ficavam extremamente surpresas e maravilhadas. Hoje, quem não tem é porque não quer ou não precisa.

É claro que se está considerando uma classe social “selecionada”, comparando o antes e o depois. Mas mesmo pegando as mais baixas classes do nível econômico, tem-se um exemplo simples: celular. Se você não tem, você é o estranho.

Tudo isso parece óbvio e banal, mas o que se considera aqui é a “evolução” que as pessoas sofrem. Diferente da seleção natural, a evolução hoje é uma adaptação ainda “em vida” (quem não sabe o que é seleção natural, fale com Darwin pelo e-mail charlesdarwin@alem.com). O homem nasce em um contexto e, por mais paradoxal que isso soe, adapta-se instintivamente a pensar como no contexto. É pintado pela cultura local, banhado pela corrente de informação manipulada da mídia e formado como “cidadão”. Como dizem alguns pais: “Você não saberia viver sozinho.”. Óbvio. A sociedade cria as crianças como se precisasse se virar quando se tornarem “adultos” e lhes dão falsos poderes providos pelos pais. A questão é: precisa-se aprender a viver fora do contexto? É tão ruim se acostumar com o que se tem hoje e “não saber viver sem”?

Parla

O fato é que nós não nos expressamos corretamente. Veio-me um velho “amigo” me dizer: “Poxa, cara, a gente não se fala mais! Temos que sair um dia desses!”. Não. Há um motivo para não nos falarmos mais e, se você não conhece, eu conheço muito bem.

Nessa geração “digital” em que estamos sendo tomados, as pessoas vivem se expressando. Extremamente mal, ambiguamente, com erros de concordância de linguagem, erros ortográficos etc. A ciência avança e a mente retarda. Assim, orkut, twitter, myspace e blogs são simplesmente depósitos teoricamente infinitos de lixo humano. Era da informação? Fato. Mas informação não quer dizer formação. É preciso saber escolher o que se lê. Isso não inclui este blog.